Derrubando árvores
Postado por randal em 29 Setembro 2006
Na semana passada quando cheguei no escritório, um caminhão da Prefeitura estava na rua, frente à entrada. No calçadão, meia dúzia de homens podava a árvore grande que sombreava as minhas janelas. Sem pensar mais, entrei e comecei a trabalhar.
A poda continuava. Olhei em vários momentos pela janela até me ocorrer que essa não era uma poda normal — estavam cortando a árvore inteira. A árvore estava podre, embora dava todos os sinais de vida. Até um casal de passarinhos fazia ninho nos seus galhos. Mas meu vizinho de baixo reparara que a árvore mostrava sintomas de que tudo não era o que parecia. Chamara a Prefeitura para pedir análise e deu na cena com que deparei naquele dia.
Nada adiantaria correr lá fora e xingar os funcionários que estavam fazendo seu trabalho. Nem reclamar com meu vizinho. Nem negar que a árvore corria riscos de, uma hora, cair em cima do nosso prédio ou no meio da rua.
Eu não queria perder a árvore, todavia, foi necessário encarar a realidade e ser honesto sobre a situação.
Por que não encaramos a própria vida com tanta honestidade? Enganamo-nos tantas vezes, dizendo para nós mesmos que a situação esteja boa quando há todo sinal de problemática.
Como meu tio com dor de dente. Ele deixou um dente doer até não agüentar mais e finalmente procurou o dentista. Chegando no consultório, aguardava a chamada quando, quase milagrosamente, o dente parou de doer. Foi embora sem ver o dentista. Chegou em casa e começou a doer novamente. Ele repetiu esse triste movimento três vezes antes de
finalmente tratar o problema.
Às vezes tememos a cura mais do que as conseqüências de nada fazer. Pois significa que teremos de aprender novas atitudes, corrigir maus comportamentos, deixar hábitos confortáveis, demonstrar humildade e modéstia.
A espiritualidade nos convida a enxergar além dos sinais da superfície a fim de tratarmos a podridão oculta, para não arcar com danos permanentes depois.
Para isso, precisamos da coragem da honestidade. Precisamos derrubar umas árvores podres.
Quem está à altura para tal?
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